Notícia: Férias de julho: o que fazer com as crianças durante o recesso?

Férias de julho: o que fazer com as crianças durante o recesso?

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Especialista dá dicas de brincadeiras simples que podem ser feitas dentro de casa e explica como funciona o Super Férias SESI 2026.
 

A foto mostra crianças fazendo um cabo de força em um campo de futebol

Julho chegou e, com ele, aquela pergunta que ronda a cabeça de todo pai e mãe: o que fazer com as crianças nas férias de julho? A escola parou, mas o trabalho não, e a criançada tem energia sobrando o dia inteiro. 

Se você tá passando por isso, não precisa se desesperar. Existe um jeito simples de atravessar essa fase sem tudo virar de cabeça pra baixo e sem precisar recorrer às telas. E começa com uma palavra que a rotina corrida faz a gente esquecer: brincar.

Mas se engana quem pensa que esse caminho é só para as crianças. Nesse artigo você vai entender por que os adultos também precisam entrar na brincadeira, literalmente.

Na correria do dia a dia, tendo que equilibrar várias demandas e, muitas vezes, sem rede de apoio, o celular, tablet ou TV se tornam os recursos mais disponíveis. No Brasil, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos já são usuários de internet, o equivalente a 24 milhões de pessoas, de acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br/NIC.br. 

Entre os pequenos, o cenário se repete: o Panorama da Primeira Infância, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mostrou que 78% das crianças de 0 a 3 anos são expostas a telas todos os dias, número que sobe para 94% entre 4 e 6 anos.

Para Agatha Caveda Matheus, especialista em lazer e atividade física no SESI-SP, esses números não tornam a tela vilã, mas mostram como o brincar de verdade está perdendo espaço, principalmente nas férias.

As crianças de hoje estão brincando menos?

A infância mudou bastante nas últimas décadas, e não é só impressão dos pais.

"As crianças  de hoje brincam diferente do que a gente e nossos pais brincavam. Elas não brincam mais na rua devido a urbanização, trânsito intenso, problemas de segurança pública, entre outros fatores. Além disso, com as mães mais inseridas no mercado de trabalho e o crescimento das tecnologias digitais, a infância está muito mais online", explica Agatha.

Agatha Matheus
Agatha Matheus (SESI-SP) dá dicas de brincadeiras para pais e filhos durante as férias escolares. Foto: Divulgação

Para ela, a tecnologia faz parte da vida de hoje e tem seu valor, mas não substitui o que só o brincar oferece: correr, criar jogos, interagir com outras crianças.

Qual a importância do brincar para o desenvolvimento infantil?
 

A imagem mostra crianças brincando
Brincar livre desenvolve habilidades essenciais que serão levadas para vida inteira. Foto: Divulgação

É no brincar sem roteiro que a criança aprende algo que nenhuma tela ensina: lidar com o outro.

"Por meio da brincadeira a criança aprende a lidar com a frustração, a perder, a errar, a lidar com o outro, a entender que nem sempre a nossa vontade vai prevalecer e a seguir regras. Além de aprender a lidar com situações difíceis e boas, saber ajudar o outro , reconhecer e comemorar a vitória do amigo e saber negociar ", descreve Agatha.

A diferença para a tela é simples de entender. Se algo não agrada na internet, basta clicar em outro botão ou arrastar para o lado. Ao brincar com outras crianças, esse atalho não existe, e é exatamente aí que mora o aprendizado.

O que fazer com as crianças nas férias de julho?

Segundo Agatha, dá para equilibrar atividade estruturada e brincar livre sem grandes planos.

"Qualquer atividade que movimente o corpo da criança é recomendada: gasta energia e desenvolve em outras habilidades.  Além disso, a associação da prática corporal às brincadeiras tradicionais como pega-pega, e polícia e ladrão, por exemplo, é um estímulo à prática de atividade física e esporte", afirma a especialista.

Para quem não vai viajar e vai passar as férias em casa, essas brincadeiras funcionam bem e não custam nada:

  • Pega-pega, polícia e ladrão e vivo ou morto, para gastar energia e se movimentar;
  • Esconde-esconde e mini amarelinha, ótimas para os dias de chuva e ficar dentro de casa;
  • Ler gibi e brincar com o cachorro, para os momentos mais tranquilos do dia;
  • Cozinhar junto e cuidar das plantas, que viram atividades em família.

"É importante os pais se envolverem mais com a criança e criarem algumas brincadeiras dentro de casa, sem que a criança fique presa à tela e à TV o dia inteiro. Se o pai e a mãe convivem e brincam juntos, vira uma atividade em família", recomenda Agatha.

Super Férias SESI 2026: como funciona o programa?

A foto mostra crianças brincando em um campo de futebol
Crianças se divertindo ao ar livre no Super Férias do SESI-SP. Foto: Divulgação

Para quem precisa de ajuda nesse período, o SESI-SP tem um programa pensado justamente para isso.

"É semelhante a uma colônia de férias, tem atividades esportivas, culturais, de convivência em grupo, atividades de prevenção a acidentes domésticos (afogamento, prevenção etc.), recreação e tempo livre", descreve Agatha.

A imagem mostra crianças brincando em uma quadra de vôlei
No Super Férias, crianças podem aproveitar toda a infraestrutura de diferentes unidades do SESI-SP. Foto: Divulgação

"Além disso, temos toda a estrutura do SESI: instalações esportivas, quadras e brinquedos que podem ser utilizados no programa Super Férias", completa.

O Super Férias 2026 está disponível de 6 a 24 ou 31 de julho, das 13h às 17h ou 13h30 às 17h30, com opção integral em algumas unidades). O valor médio é de R$ 175 por semana (associados têm desconto), com inscrição presencial nas secretarias das unidades. O programa está presente em quase todas as unidades do SESI-SP.

Deixar a criança sem nada para fazer nas férias é ruim?

A imagem mostra uma menina brincando em um parquinho
Brincar “roteiro” e ter tempo para relaxar são essenciais pro desenvolvimento das crianças. Foto: Divulgação

Pelo contrário. Muitos pais sentem culpa quando o filho fica à toa, mas Agatha vê isso de outro jeito.

"O ócio é importante para relaxar, desligar, descansar sem se preocupar e ter o tempo dela para fazer o que gosta. É no tempo livre que ela vai encontrar atividades que tem prazer: vai brincar com o cachorro, ler gibi, e descobrir o que ela gosta e o que não gosta", explica a especialista.

Brincar é coisa só de criança?

É comum pensar que brincar é coisa de criança e que, na fase adulta, esse tempo precisa dar lugar a outras prioridades. Para Agatha, essa ideia deixa de fora um direito garantido pela Constituição ao lado da saúde e da educação, mas que a sociedade ainda trata como algo secundário.

A imagem mostra um grupo de crianças organizadas em uma roda em um campo de futebol
Brincar é um direito, importante para todas as idades. Foto: Divulgação

"O lazer é um direito previsto como saúde, educação, esporte. No entanto, a sociedade não percebe o lazer como um direito. O lazer é para todos: jovens, idosos, adultos, crianças e adolescentes. A gente, como adulto, precisa se dar esse direito de brincar com sobrinhos, com filhos de amigos, com crianças”,afirma Agatha.

"Para as crianças, ter um dia, ainda que poucas horas, em que a família brinque com elas, pode criar uma memória que elas vão levar para o resto da vida", completa.

Serviço

Com o programa presente em quase todo o estado de São Paulo, dá para combinar a rotina de férias dos filhos com a estrutura do SESI-SP e ainda garantir, em casa, aquele tempo de brincar em família.

  • Mais informações sobre o Super Férias: sesisp.org.br/para-voce/super-ferias-2026
  • Lista de unidades: sesisp.org.br/eventos

Então, nesse julho, que tal separar uma tarde, deixar o celular de lado por alguns minutos e brincar de alguma coisa com seus filhos? A internet vai continuar lá esperando. A infância, não.