Notícia: Escola da Fundação Roberto Marinho abre matrículas para educação de jovens e adultos

Escola da Fundação Roberto Marinho abre matrículas para educação de jovens e adultos

Compartilhar

São oferecidas vagas para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio; turmas funcionam na Maré e em Del Castilho, no Rio, e no bairro Porto da Pedra em São Gonçalo

Grupo numeroso de pessoas em um auditório, vestindo camisetas laranja, sorri e levanta certificados de conclusão. A cena transmite celebração coletiva, conquista e orgulho pela formatura.
Formatura da escola da Fundação Roberto Marinho no final de 2025. Foto: Amanda Nunes.

A escola da Fundação Roberto Marinho abre nesta segunda-feira, 26, as matrículas para novos estudantes. Serão oferecidas cerca de 300 vagas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio. As turmas funcionam em três bairros da Região Metropolitana do Rio: Maré e Del Castilho, na capital, e Porto da Pedra, em São Gonçalo. 

Por meio de uma metodologia própria, que possibilita a otimização do currículo e a aceleração da aprendizagem, os alunos podem concluir os anos finais do ensino fundamental ou o ensino médio em apenas dois anos. Segundo a vice-diretora da escola, Joana Ribeiro, as aulas começam em 23 de fevereiro de 2026 e a previsão de conclusão das turmas é dezembro de 2027. Ela completa: “é uma escola gratuita e o estudante recebe o material necessário para concluir seus estudos".  

A inscrição é feita de forma remota, por meio do preenchimento do formulário de interesse, no qual o candidato indica o polo desejado: Del Castilho, São Gonçalo ou Maré. Após o envio, a equipe entra em contato para informar os turnos e segmentos disponíveis e, havendo interesse, agendar uma entrevista. As vagas são limitadas e, quando preenchidas, os candidatos podem entrar na lista de espera. 

A vice-diretora destaca que a abordagem pedagógica adotada valoriza o acolhimento, os diferentes saberes e a autoestima, fatores essenciais no trabalho com jovens, adultos e idosos que não concluíram a escolaridade e ficaram afastados do ambiente escolar. “A escola trabalha com a metodologia Telessala – Incluir para Transformar, onde o estudante é protagonista da sua história e tem seus saberes prévios valorizados, a diversidade é respeitada e todos participam do processo de construção do conhecimento”.  

O sonho do diploma  

O Brasil tem mais de 66 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica e estão fora da escola. Em dezembro do ano passado, Marcelo Ferreira da Silva, de 50 anos, abandonou essa estatística. Ele é um dos 140 estudantes formados pela escola da Fundação Roberto Marinho. Morador de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ele finalmente tem em mãos o diploma do ensino médio.  

“Você tem que querer muito e pensar no seu futuro. A vida coloca muitos obstáculos para que a gente não conclua os estudos, mas é preciso abandonar o passado e seguir em frente”, opina Marcelo. “Não é fácil, tem que se preparar porque é uma luta dura, principalmente quando você já está há muitos anos afastado da escola. Voltar à escola exige mudança de rotina, foco e renúncias, mas a Fundação Roberto Marinho tem uma equipe maravilhosa. Se eu consegui, você também consegue”. 

Duas pessoas posam juntas diante de um fundo branco. À direita, um homem sorri e veste beca preta de formatura, com faixa azul na cintura, jabô branco no peito e capelo na cabeça. Ele segura um canudo azul com a inscrição “Unidade Escolar – Fundação Roberto Marinho”. À esquerda, uma mulher também sorri, veste uma blusa preta e apoia a mão no braço do homem, ajudando a segurar o canudo. A imagem transmite proximidade, orgulho e celebração de uma conquista acadêmica.
Marcelo Ferreira e a professora do polo Del Castilho, Fábia Muniz. Foto: Amanda Nunes.

Marcelo estudou no polo Del Castilho, bairro no meio do caminho entre o trabalho, na zona sul do Rio, e sua casa, na Baixada Fluminense. Conciliar escola e trabalho não foi fácil, mas ele insistiu. O diploma veio em sua segunda tentativa de concluir o ensino médio. Agora, ele planeja os próximos passos. Marcelo quer fazer um curso preparatório para o Enem e tentar uma vaga no ensino superior.   

Turmas na Região Metropolitana 

A oferta de turmas em diferentes lugares facilita o acesso de quem mais precisa à escola. Muitas vezes, as aulas acontecem perto da residência ou do trabalho do estudante, um incentivo importante para quem deseja retomar os estudos, mas precisa conciliar a sala de aula com outras demandas da vida. Para realizar esse trabalho, a escola atua nos territórios em parceria com instituições locais: Instituto Abraço Coletivo, em São Gonçalo; Rede Cruzada, em Del Castilho; e Redes da Maré, no Conjunto de Favelas da Maré. 

Esse ano, mais da metade das vagas estão localizadas em diferentes comunidades do Conjunto de Favelas da Maré, onde vivem cerca de 140 mil pessoas, segundo dados do Censo Populacional da Maré. Edvânia Ferreira, coordenadora de projetos da Redes da Maré destaca a importância da oferta no território. “Das 49 escolas públicas da Maré, apenas quatro ofertam a modalidade EJA no ensino fundamental e uma no ensino médio. Nesse contexto, o projeto em parceria com a FRM cumpre um papel compensatório e reafirma a importância de defender a EJA como um direito. Oferece também uma via de retomada escolar para jovens, adultos e idosos que interromperam sua formação por razões socioeconômicas, trabalho, responsabilidades familiares ou pelos impactos da violência armada sobre a trajetória escolar”, aponta. 

Em 2026, serão sete turmas na Maré, seis delas para conclusão do ensino médio. As vagas estão distribuídas em cinco comunidades: Nova Holanda, Vila do Pinheiro, Nova Maré, Rubens Vaz e Conjunto Esperança. No polo Del Castilho, há oferta apenas para o ensino médio. Já em São Gonçalo estão abertas duas turmas, uma para cada etapa de ensino. Para saber mais sobre o turno e a modalidade disponível em casa polo, preencha o formulário de inscrição na escola: https://www.frm.org.br/projeto/unidade-escolar

“Somos parceiros desde 2018. A iniciativa é fundamental para atender à alta demanda de escolarização adulta no território e desempenha um papel central para a democratização do acesso à educação formal. O projeto não se limita à recuperação de competências escolares, mas também atua como uma importante estratégia de inclusão social, ampliando oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional”, destaca Edvânia Ferreira. 

Sobre a escola da FRM 

A Unidade Escolar da Fundação Roberto Marinho é uma escola própria de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que atua como laboratório vivo da metodologia Telecurso® e da abordagem Telessala™ Incluir para Transformar. Desde 2011, oferece a jovens, adultos e idosos a oportunidade de concluir o ensino fundamental ou médio em dois anos, por meio de um currículo otimizado e da aceleração da aprendizagem. As turmas estão localizadas no Rio, no bairro de Del Castilho e no Conjunto de Favelas da Maré, e em São Gonçalo, no bairro, Porto da Pedra. A escola atua em parceria com organizações locais e já atendeu mais de 6,5 mil estudantes, reafirmando o compromisso da Fundação Roberto Marinho com a inclusão educacional, a garantia de direitos e a transformação de trajetórias por meio da educação. Saiba mais em: https://telecurso.frm.org.br/