Notícia: EJA 2026: SESI-SP abre inscrições para quem quer voltar a estudar

EJA 2026: SESI-SP abre inscrições para quem quer voltar a estudar

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Quase 65 milhões de brasileiros não concluíram o Ensino Médio. Nova EJA aposta em modelo flexível, reconhecimento de saberes e qualificação profissional.

Trabalhar cedo. Cuidar dos irmãos ou dos avós. Ajudar no sustento da casa. Morar longe da escola e não sobrar dinheiro para passagem. Assim começa a história de muita gente que teve que deixar a escola.

No Brasil, quase metade da população com 25 anos ou mais (49,2%) não concluiu o Ensino Médio. Estamos falando de cerca de 65 milhões de pessoas, segundo dados mais recentes do IBGE. No estado de São Paulo, o índice é de 43%.

Por trás desses números existem trajetórias interrompidas e um direito que não foi garantido. Afinal, se a educação básica é assegurada por lei, o desafio é coletivo: como garantir esse acesso a quem ficou para trás?

 Uma turma de EJA do SESI Vila Canaã nos bastidores da gravação da série "De Volta às Aulas" do Canal Futura. Foto: Divulgação
Uma turma de EJA nos bastidores da gravação da série "De Volta às Aulas" do Canal Futura. Foto: Divulgação

Queda de matrículas na EJA

A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) garantem o acesso à educação básica também para quem não concluiu na idade regular.

Mas a realidade é outra. Nos últimos cinco anos, o número de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) caiu de 2,9 milhões em 2021 para 2,2 milhões em 2025. Uma redução de 700 mil estudantes , segundo o Censo Escolar. A queda é maior ainda na rede pública, onde está a maioria dos alunos da modalidade.

Gráfico EJA INEP

“A evasão na EJA sempre foi um desafio histórico, mas hoje o Brasil enfrenta um problema ainda mais preocupante: a redução da oferta. Em muitos lugares, quando o jovem ou adulto decide voltar a estudar, simplesmente não encontra turma disponível.”, afirma Juliana Prezia, Supervisora Técnica Educacional do SESI-SP.

Juliana destaca que os motivos do abandono são fruto da desigualdade social do País: pobreza, responsabilidades familiares, deslocamento difícil, exaustão do trabalho (especialmente no caso das mulheres, que acumulam jornadas).

A EJA acaba sendo uma política de reparação social.

Alunos da EJA no SESI Osasco. Foto: Divulgação
Alunos da Nova EJA no SESI Osasco. Foto: Divulgação

Reconhecimento de saberes: ninguém parte do zero

Um dos diferenciais da Nova EJA do SESI-SP é o Reconhecimento de Saberes, previsto na LDB.

Antes de iniciar as aulas, cada estudante passa por entrevistas e avaliações que mapeiam sua trajetória de vida e seus conhecimentos já adquiridos.

“O aluno não pode voltar e começar do zero. Uma mulher que vende bolos aplica matemática todos os dias. Um mecânico usa conceitos de física na prática. Essas competências precisam ser reconhecidas.”, defende Juliana.

Juliana Prezia+
Foto: Sesi São Paulo/Everton Amaro

A partir desse diagnóstico, é criada uma trilha personalizada de aprendizagem, focando apenas no que ainda precisa ser desenvolvido. O tempo de conclusão pode ser reduzido de 12 para 6 meses, dependendo da trajetória individual.

Mas Juliana ressalta que mais importante que a redução do tempo é a recuperação da autoestima. O reconhecimento gera pertencimento.

“Eles se sentem ouvidos. Dizem: ‘Fui reconhecido pelo que eu sei.’” , reforça Juliana que também é professora.

Qualificação profissional e novas oportunidades

Outra possibilidade é a EJA Profissionalizante, realizada em parceria com o SENAI-SP. Depois do reconhecimento de saberes, o estudante pode optar por concluir o Ensino Médio ou integrar a formação básica a um curso profissional alinhado às demandas do mercado local.

“O SENAI mapeia as necessidades de cada região. Isso aumenta as chances de inserção no mercado de trabalho.”, explica Juliana.

O diploma de conclusão do ensino médio gera novas perspectivas de futuro, amplia as possibilidades de emprego e geração de renda.

“Muitos têm vergonha de dizer que não concluíram o Ensino Médio. Quando finalizam, recuperam confiança e perspectiva.”, ressalta a Supervisora Técnica Educacional do SESI-SP.

Inscrições abertas para EJA 2026 no SESI-SP

O SESI-SP está com inscrições abertas para a 2ª turma de 2026 da Nova EJA e da EJA Profissionalizante.

  • Inscrições podem ser realizadas até 10 de abril de 2026
  • São 36 unidades escolares em todo o estado de São Paulo
  • Matrículas são feitas online no site
  • São oferecidas dezenas de cursos profissionalizantes (conforme disponibilidade e procura)

A EJA do SESI-SP abrange os anos finais do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano) e o Ensino Médio (do 1º ao 3º ano).

A iniciativa amplia o acesso à educação básica gratuita e flexível, com modelo híbrido (80% das atividades a distância e 20% presenciais) e com professores tutores disponíveis nas unidades para acompanhamento e apoio pedagógico.

Um recomeço é possível

Para Juliana Prezia, a EJA é mais do que uma política pública, é um compromisso ético e moral.

“Precisamos crescer enquanto sociedade e garantir oportunidades para todos. Adulto aprende de maneira diferente. Se sabemos que ninguém parte do zero, precisamos ensinar de outra forma.”

O recado se estende a educadores, gestores e profissionais da área: informar, acolher e mobilizar. Cada matrícula na EJA é mais do que o retorno à sala de aula. Representa uma nova chance. O recomeço de uma história que ficou interrompida.