Confira como foi a participação da Fundação Roberto Marinho no CONEDU 2026
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Evento contou com atividades sobre educação antirracista, mundo do trabalho e proteção de crianças e adolescentes, com grande adesão do público

Entre os dias 8 e 11 de outubro, o Congresso Nacional de Educação (CONEDU), reuniu educadores, estudantes e pesquisadores em Campina Grande (PB), sob o tema “O hoje na educação”. Em diálogo com o Dia dos Professores, celebrado neste 15 de outubro, a Fundação Roberto Marinho marcou presença no encontro com uma programação especial voltada ao reconhecimento e à valorização dos profissionais da educação.
Ao longo do evento, a Sala Futura se tornou um espaço de escuta, formação e troca de experiências. A programação promoveu conversas e capacitações direcionadas à preparação de jovens para o mundo do trabalho, à iniciação científica, à educação antirracista e à garantia dos direitos de crianças e adolescentes, reforçando o compromisso com a transformação das práticas pedagógicas e a aproximação das diversas realidades do país.
Entre as dinâmicas da Sala Futura, a atividade “A Arte de Projetar o Futuro” convidou os presentes a refletirem sobre formação, sonhos e escolhas. Ao longo do encontro, os participantes registraram suas perspectivas por meio de palavras, desenhos, colagens e grafismos, compondo um grande painel coletivo que permaneceu exposto durante todo o congresso.
A reflexão sobre o papel da escola e dos professores na transição dos jovens para o mercado de trabalho ganhou destaque na oficina do Desponta, conduzida por Grazielle Bragança, coordenadora do Aprendiz Legal. O programa oferece planos de atividades voltados ao desenvolvimento de competências socioemocionais e habilidades digitais, auxiliando na recomposição de aprendizagens e na ampliação do repertório profissional de adolescentes e jovens.
“Nossa intenção no CONEDU foi fazer o professor experimentar a aplicação de uma parte desse material, para ele entender as possibilidades de uso em sua sala de aula”, explicou Grazielle.
Para José Nilson, professor da rede pública de Bacabal (MA), a vivência trouxe ideias para o cotidiano escolar. “A gente percebe que eles ainda não estão preparados para o mercado de trabalho. Muitos não sabem qual profissão seguir. Vejo que a escola pode ser esse espaço de orientação, informação e incentivo para que entendam a importância da educação para acessar e permanecer no mercado”, pontuou.
A inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica, conforme preveem as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, também esteve no centro da programação da Fundação Roberto Marinho. A oficina do A Cor da Cultura promoveu o debate sobre a educação para as relações étnico-raciais nas redes de ensino.
“Falar sobre isso é fundamental para enfrentar a cultura racista que persiste no país. A atuação de cada educador e pesquisador pode contribuir para uma educação mais inclusiva, que contemple a diversidade dos nossos estudantes”, ressaltou Valdo Rosa, doutorando na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Minas Gerais.

A proteção de crianças e adolescentes também esteve em pauta com as atividades do programa Crescer sem Violência, iniciativa voltada à prevenção e resposta a diferentes formas de violência, com foco na violência sexual. Durante o congresso, foram realizadas duas oficinas do programa, que registraram grande adesão do público. “Levamos para o CONEDU a importância de abordar esse assunto no ambiente escolar e de preparar os educadores para identificar e notificar adequadamente os casos que chegam de forma espontânea às salas de aula”, explicou Priscila Pereira, coordenadora da iniciativa.
Para quem vivencia a realidade escolar, o treinamento reforçou a necessidade de romper com o silêncio em relação ao tema. Professora de uma escola estadual na região metropolitana de João Pessoa (PB) que atua com estudantes de 14 a 17 anos, Verônica ressaltou a urgência do debate. “Falar sobre violências, ainda mais a violência sexual contra crianças e adolescentes, é um tabu, mas é fundamental buscar conhecimento. É um problema que acontece, mas pouco se fala. É importante saber reconhecer os sinais de alerta e estabelecer uma relação de confiança com os alunos para que possamos ajudá-los quando necessário”, destacou a educadora.
A promoção da produção científica na educação básica também integrou a programação da Fundação Roberto Marinho no evento, com a realização da oficina dedicada ao Prêmio Jovem Cientista. De acordo com Vanessa Ronchi, coordenadora da iniciativa, a proposta foi instigar os professores a refletirem sobre a presença da ciência no cotidiano escolar, estimulando o desenvolvimento de projetos de pesquisa alinhados aos desafios e às potencialidades dos territórios dos estudantes.
“Nosso objetivo é aproximar a escola da produção científica. Se eu sou um jovem na escola, como posso pensar, projetar e sonhar um projeto científico? Esse foi o foco do diálogo com os educadores que participaram do evento”, contou Vanessa.
Além das oficinas e debates, o espaço promoveu a Trilha Futura, uma atividade interativa de divulgação das soluções da Fundação Roberto Marinho e do Canal Futura. A dinâmica convidou o público a conhecer projetos educacionais por meio de desafios instrutivos. Os primeiros participantes que completaram o percurso receberam brindes exclusivos, que se esgotaram rapidamente ao longo dos quatro dias de evento.
Desigualdades na educação em debate
Durante os quatro dias de evento, o auditório do CONEDU permaneceu lotado para acompanhar palestras e rodas de conversa dedicadas às urgências da educação brasileira. No centro do debate, a garantia do direito à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o combate às desigualdades que marcam a trajetória das juventudes.
A Fundação Roberto Marinho participou de dois paineis de discussão. O primeiro abordou "O desafio das metas do PNE: 63 milhões de brasileiros sem educação básica completa". Na ocasião, a gerente educacional da Fundação Bradesco, Rossana Ishii Chida, defendeu a centralidade da EJA no debate público e apresentou a Rede EJA e Inclusão Produtiva, aliança liderada pela Fundação Roberto Marinho ao lado de outras 15 instituições da sociedade civil para pressionar por políticas públicas integradas de escolarização e inclusão no mundo do trabalho.
"A Rede atuou desde o princípio para assegurar a presença da EJA no novo Plano Nacional de Educação. Nosso objetivo é fortalecer a modalidade nas políticas públicas e alcançar bons resultados nos próximos anos. Quando olhamos os dados, percebemos que o desafio ainda é grande", avaliou Rossana.

A segunda mesa debateu "A Educação Hoje: escola pública, proteção social e trajetórias das juventudes brasileiras", chamando a atenção para as assimetrias que dificultam o acesso e a permanência dos estudantes nas escolas.
"O acesso à educação como um direito inalienável é o ponto de partida para qualquer reflexão sobre as juventudes no Brasil", ressaltou Felipe Santos, da equipe de Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho. Antes do debate, o pesquisador apresentou dados do estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas, levantamento que mapeia os indicadores sociais, educacionais e de trabalho de 13 grupos de jovens diretamente afetados pelas desigualdades estruturais do país.
Para Luís Paulo Martins, gerente de Política e Regulação Educacional do SESI São Paulo, é fundamental aproximar a escola do cotidiano prático dos estudantes. "Precisamos considerar a pluralidade de territórios e comunidades do Brasil. É urgente pensar uma escola que reconheça as singularidades locais, superando os obstáculos sociais, ambientais e de infraestrutura de cada região. O objetivo é trazer esses jovens para o centro da transformação de suas próprias realidades. Quando a vivência do estudante entra na sala de aula, a educação se torna equitativa e ganha sentido prático", avalia.
